Em meio a uma crise de hipersensibilidade, com dores, enjoo e claro, desmotivação com a condição de vida de uma autista, fui pesquisar sobre alternativas de tratamento para dores neuropáticas. As dores neuropáticas são causadas por disfunções no processamento sensorial do sistema nervoso (hiper ou hiposensibilidade) culminando em sobrecargas e/ou crises. A imersão nessa busca provocou um Flash de memórias onde, sem querer ser dramática, percebi que a dor me acompanha, desde sempre. Talvez tenha sido pela dor cada uma das minhas crises, choro, raiva. Sem antes compreender minha condição dentro do Espectro Autista, não entendi como havia chegado em uma tentativa de suicídio, o porque sentia tanta solidão, tanto medo de mim mesma e tantas dificuldades para aceitar o mundo da forma como é (hostil as diferenças). Hoje, mesmo com diagnóstico tardio, aos 47 anos, busco o auto-conhecimento, estudo sobre a minha condição e pesquiso, insensantemente, sobre ferramentas para manter uma condição de vida favoravél. Cansei de estar cansada!
A tentativa de sentir-se incluída no mundo e nas relações, gera um esforço enorme para que possamos manter a “performance produtiva” mantendo nosso corpo, muitas vezes, com sinais de dores e fadigas, até o limite. A consciência sobre esse processo continuado de exaustão chega, em grande parte das vezes, após a exaustão e as crises. Apesar disso, continuamos, afinal, nós mulheres, cuidamos, mesmo quando precisamos ser cuidadas, trabalhamos, mesmo quando a sobrecarga do trabalho doméstico somado ao lugar no mercado de trabalho, nos leva a exaustão.
Enfim, há ensaios que sugerem práticas de yoga, meditação etc. que obviamente, são relevantes para amenizar dores e fadiga. Mas se, Mulheres na condição autista, não forem respeitadas no seu tempo, no seu espaço e na sua condição de existência, pouco evoluiremos. Assim, garantir qualidade de vida no autismo é incluir levando em conta as necessidades especificas e uma condição de vida digna, ancorada na garantia de direitos. Com isso, não podemos naturalizar a fragilidade no acesso a saúde, a garantia do atendimento das necessidades especificas no trabalho e na escola entre outras tantas situações, que nos colocam numa relação desigual. Dor, também é o reflexo do cansaço consequente das relações cruéis, discriminatórias e pouco inclusivas.
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